O que esperar de um acordo?

O sucesso do mediador ocorre quando todos os envolvidos saem do processo melhor do que entraram: mais conhecedores de si mesmos, enquanto negociadores, e das suas probabilidades negociais no caso.

De acordo com as estatísticas mundiais, 80% das mediações iniciadas e bem conduzidas terminam em acordo. Os 20% de casos de não acordo, revelam, muitas vezes, aspectos imponderáveis das negociações.

Obviamente, todos desejam uma solução que extinga 100% dos problemas que os levaram até a mediação. Quando o acordo não é possível em dado momento, ou este é apenas parcial, mas a mediação foi bem feita e as partes terminaram o processo melhores do que o iniciaram, muitas vezes, o acordo é concretizado mais adiante, com ou sem a necessidade de um mediador.

O que muitas vezes é chamado de Pacificação Social, a partir da mediação de conflitos, vem da clareza e firmeza com que as decisões são tomadas, pelas próprias partes. O mediador cria as condições para que elas voltem a ocupar o protagonismo no que lhes afeta, em vez de delegá-lo a um juiz ou árbitro.

O que é a resolução de conflitos?

Conflitos são processos complexos, multifatoriais, em cujo percurso os envolvidos geralmente envidam muitos esforços para solucionar os problemas que reconhecem. Não obstante, e a despeito de sua capacidade e compromisso, novos problemas continuam surgindo e se avolumando em progressão geométrica.

Como não conseguem equilibrar o custo e o benefício de seus esforços para resolver problemas, parece-lhes óbvio que a fonte principal de todo o mal está do lado de fora da equação: o outro envolvido. Este, por seu turno, provavelmente enxerga a situação de forma igual e contrária. Ou seja, ambos ficam cada vez mais distantes e menos confiantes em uma solução dialogada.

É nesse cenário que surge a necessidade de envolver um terceiro, especialmente capacitado para intervir de forma positiva. (Leia mais sobre “Por que a mediação funciona?”)

Nesse ponto, as partes, muitas vezes, já procuraram seus advogados e, não raro, o Judiciário ou a Arbitragem (nos casos de relação contratual com tal previsão). Vale notar que o Judiciário tende a ser o caminho mais utilizado, pelo simples fato de ser o único que uma das partes pode iniciar sozinha.

Em toda relação com algum grau de interdependência, não basta ganhar ou perder nos aspectos jurídicos. O Direito é sempre fundamental (como parâmetro negocial ou a fronteira do espaço negocial), mas não suficiente para resolver os problemas da vida, sejam eles de natureza emocional (afetando, sobretudo, as relações interpessoais com convivência necessária) ou operacional (impacto em qualquer assunto econômico/financeiro).

Na Mediação de Conflitos e suas derivações (facilitação de diálogos, desenho de sistemas, desenvolvimento de habilidades mediadoras em diversos níveis de uma empresa, e outros), trabalhamos com etapas proporcionais à complexidade de cada caso.

A sequência de etapas é, normalmente,: (i) diagnóstico dos fatores essenciais ao caso; (ii) construção de confiança no mediador e no processo (a eventual reconstrução de confiança na outra parte é um “efeito colateral” possível, mas não garantido); (iii) ajuda às partes para que, junto com seus advogados, avaliem as melhores e piores opções de forma realista e multifatorial; (iv) convergência do que realmente importa para todos os envolvidos; e, só então; (v) busca de soluções.

O que é conflito?

Do instante em que um ou mais envolvidos em uma relação passam a acreditar que o que dizem será inútil para resolver o seu problema, ou, pior, pode ser usado contra ele(s), a comunicação deixa de acontecer, dando lugar a uma sequência de monólogos. A palavra passa a ser, consciente ou inconscientemente, uma “arma de guerra”. Obviamente, esses comportamentos tendem a acumular mais problemas, em vez de resolvê-los. Quanto mais acuadas as pessoas se sentem nesses cenários, menos conscientes são de seu melhor potencial de resolver os problemas que realmente lhes afligem.
Toda a dor, o desperdício e as perdas geradas pelo fenômeno do conflito poderiam ser evitados ou minimizados, se o conflito fosse cuidado o quanto antes. Como qualquer tratamento, o ideal é que seja o menos invasivo possível. O método adequado de resolução de conflitos dependerá da fase e da complexidade em que se apresente.
Exemplos de relações frequentemente conflituosas, que podem ser tratadas com melhores resultados pelas técnicas de mediação de conflitos:

  • Casais – divórcio: alimentos, partilha de bens e convivência com filhos
  • Famílias – sucessão ou planejamento sucessório
  • Condomínio – gestão financeira e de comportamentos
  • Sociedades empresariais – relação entre sócios que desejem permanecer trabalhando juntos ou que precisem se separar, sobretudo quando a relação interpessoal precisa continuar, como nas empresas familiares
  • Ambiente organizacional de qualquer espaço de trabalho – conflitos entre equipes ou intraequipes, muitas vezes por metas incompatíveis.

Estes cenários podem gerar inúmeros desafios a:

  • Governança Corporativa
  • Relações Trabalhistas, inclusive em negociações sindicais
  • Relações com consumidores, baseadas em contratos de adesão
  • Contratos com fornecedores, parceiros, clientes etc.
  • Relações não contratuais, como as da empresa com comunidades de seu entorno, especialmente em atividades com forte impacto socioambiental

O que essas relações têm em comum? São inevitáveis ou caras demais para serem substituídas. Conscientemente ou não, há nelas um alto grau de interdependência. Se elas deixam de funcionar saudavelmente, seus participantes sofrem (no corpo e/ou no bolso).