Carta para Gabriela

Pede-me Gabriela Assmar que produza um pequeno texto para ser inserido em seu site. Atendo ao pedido, com alegria. Sinto-me, de resto, qualificado a dar sobre ela um depoimento esclarecedor.

Conheci Gabriela como professora. Eu tinha decidido preencher meu tempo de aposentado dedicando-me à mediação. Depois de 40 anos de advocacia achava, e acho ainda, que a tendência natural do contencioso judicial é evoluir na direção de resolver por meio de negociação amigável um número cada vez maior de conflitos. Matriculei-me em um curso em que Gabriela ensinava. Ficamos amigos e, em pouco tempo, éramos sócios.

Trabalhamos juntos durante algum tempo, formulando as linhas do projeto que hoje Gabriela desenvolve.   Depois desisti. Aceitei como um fato da vida que, embora ela e eu cultivássemos a mesma confiança que a mediação iria se consolidar no Brasil como a forma mais inteligente e prática de solucionar divergências de interesses, existiam diferenças insuperáveis em nossos ritmos de trabalho. Com meus setenta e muitos anos eu simplesmente não conseguia acompanhar o pique e a intensidade de minha amiga e ex-sócia.

Deixamos de ser sócios e continuamos amigos.

Gabriela é antes de tudo intensa. Acredita na mediação com fé verdadeiramente missionária.  Capta intuitivamente a tendência que eu intelectualmente tinha detectado. E dedica-se a ela de corpo e alma.  Sente que, disseminando a mediação como forma de resolução de conflitos acompanha um movimento natural e colabora para a paz social.

Sua atuação não se assemelha, porém, a de tantos outros missionários que se dedicam cegamente à causa que abraçaram e acabam na cruz, na fogueira ou simplesmente delirando.

Nada disso. A paixão de Gabriela pela mediação não a torna cega à realidade, nem embota sua inteligência. Ao contrário, aguça-a.

A mediação, sim, vai prevalecer, mas para que isso aconteça é preciso dedicar-se a ela com ponderação e raciocínio. Considerar circunstâncias, reconhecer limitações, ponderar pormenores, entender e superar dificuldades

Trabalhar ao mesmo tempo, com o coração e com a cabeça, por uma causa relevante, este, em uma frase, o objetivo que Gabriela se traçou e que serve de diretriz à empresa que formou para atingi-lo.

Tenho certeza que Gabriela conseguirá ter sucesso no projeto a que se dedicou, atendendo com eficiência um número cada vez maior de clientes, para os quais seu trabalho gerará economias relevantes.

 

Rio de Janeiro, 31 de março de 2018

Gabriel Lacerda

 

Gabriel Araújo de Lacerda, sócio aposentado de Trench Rossi e Watanabe. Professor fundador da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas, onde conduziu atividades eletivas com foco em novas metodologias e experiências didáticas (direito e cinema, oratória, prática profissional etc.). Ex-Consultor Jurídico da Presidência da Petrobras (2001), Mestrado em Direito (LLM) pela Faculdade de Direito da Universidade de Harvard (Harvard Law School), (1967-1968) – Pós graduação latu sensu em literatura infanto-juvenil na UFRJ (2001) Cursos de especialização em arbitragem da ICC (São Paulo, 2011) Curso de Mediação da Mediare (Rio de Janeiro, 2011), Autor de vários livros, didáticos, de ficção e de literatura infanto-juvenil, dos quais os mais recentes são Nazismo Cinema e Direito, Agir bem é bom, Direito no Cinema, O Estado é Você, Eu tenho Direito, Ética, ontem, hoje e amanhã.